terça-feira, 9 de novembro de 2010

Recordações da infância

Você se recorda de algum episódio importante da sua infância?

De certa forma, as lembranças de fatos que marcaram os primeiros anos, podem exercer poderosa influência na formação do nosso caráter, balizando nossas ações por toda vida.

Isso foi o que aconteceu com Norman, cuja história foi publicada na revista Seleções.

Conta Norman que, quando sua esposa ficou gravemente doente, perguntou a si mesmo como poderia arcar com as dificuldades físicas e emocionais e cuidar dela.

Numa noite, quando suas forças ameaçavam abandoná-lo, veio-lhe à mente um episódio há muito esquecido.

Lembrou-se de quando tinha uns dez anos de idade e sua mãe estava muito mal. Levantou-se no meio da noite para beber água e ao passar pelo quarto dos pais, observou a luz acesa e entrou. Viu que seu pai estava lá, de roupão, sentado numa cadeira ao lado da cama da mãe, apenas olhando-a.

“O que aconteceu, papai? Por que você não está dormindo?” Perguntou Norman.

E seu pai tranqüilizou-o dizendo: “não aconteceu nada, filho. Estou apenas velando por ela.”

Norman diz que não sabe explicar como, mas a lembrança daquela cena antiga lhe deu forças para retomar a própria cruz.

Conta como descobriu o episódio que marcou seu filho Jim, de quinze anos de idade. Diz ele que num dia claro de primavera, quando ambos pintavam a grade da varanda, perguntou a Jim do que ele se lembrava mais claramente.

Jim respondeu sem hesitar: "da noite em que íamos de carro para algum lugar, só eu e você, numa estrada escura, e você parou e me ajudou a pegar vaga-lume."

Depois de buscar na memória, Norman se recordou que isso acontecera quando Jim tinha apenas cinco anos. Haviam parado para limpar o pára-brisa e foram cercados por uma nuvem de vaga-lumes.

Lembrou-se de que tinha um vidro no porta malas e que ajudou Jim a colocar dentro dele muitos vaga-lumes, para depois destampar o vidro e deixá-los voarem um a um, enquanto ia falando ao filho da misteriosa luz fria que aqueles insetos levam no corpo.

Daquele dia em diante, Norman passou a pedir aos amigos que pensassem na sua infância e lhe contassem o que lembravam com maior nitidez.

Um deles, filho de um diretor de empresa que passava muito tempo longe da família, falou da cena de que se lembrava nitidamente. "É do dia do piquenique anual do colégio, quando meu pai, normalmente muito distinto, se apresentou em mangas de camisa, sentou-se comigo na grama, comeu o almoço frio e depois deu o chute mais forte no nosso jogo de bola."

Descobri, depois, que ele tinha adiado uma viagem de negócios à Europa para ficar comigo."

Como Norman, seu filho e seu amigo, todos temos algo para recordar ou para deixar marcado na alma dos nossos filhos. Os pais podem, por seus atos ou palavras, comunicar emoções e experiências aos filhos.

Podem deixar-lhes lembranças de coragem, e não de medo; de força, e não de fraqueza; de gosto pela aventura, e não de retraimento diante de pessoas e lugares estranhos; de calor e afeição, e não de rigidez e frieza.

É precisamente nessas recordações que se enraízam as reações e os sentimentos que caracterizam toda a atitude da pessoa com relação à vida. E aquilo que para o adulto possa parecer uma palavra ou um ato banal é, para a criança, muitas vezes, o núcleo de uma lembrança importante sobre a qual ela vai construir alguma coisa.

Assim, se você é pai ou mãe, procure encontrar a energia, o tempo ou o entusiasmo extras para executar o projeto pequenino e aparentemente insignificante, que é tão importante para seu filho.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Você vale mais que isto

Certa vez uma menina de oito anos estava passeando pelo shopping, próximo da sua casa, com algumas amigas. Viu um dinheiro sobre o balcão de uma loja e pegou-o.
A balconista viu e chamou-a de ladra. Segurou-a pelo braço e a levou até seus pais.
A menina estava aos prantos, e os pais ficaram desesperados com a situação.
Algumas pessoas mais próximas esperavam que os pais batessem e punissem a filha, mas os pais desejavam educá-la para a vida e mostrar-lhe o quanto a amavam.
Chegando em casa, os pais fizeram algo inusitado. Deram à garota o dobro do valor que ela havia furtado e lhe disseram que ela era muito mais importante para eles do que todo o dinheiro do mundo.
Explicaram que a honestidade e a dignidade não têm preço, pois nem mesmo toda a riqueza do mundo vale mais que essas virtudes.
A sabedoria dos pais transformou uma situação crítica em um momento mágico de educação, de extrema beleza, e a menina jamais esqueceu aquela lição.
Os pais valorizaram mais a filha do que o seu erro. E isto fez a diferença.
Em vez de punição, educação. Em vez de condenação, perdão. Em vez de agressividade, diálogo. Em vez de rigor, amor.
Os pais, embora muitas vezes bem intencionados, perdem inúmeras oportunidades de educar os filhos com sabedoria e usam um rigor que afasta e infelicita.
Valorizam demais os erros e não se dão conta de que o filho pede orientação e carinho e não punição e condenação.
São os filhos mais difíceis que testam a nossa capacidade de amar e educar.
Muitas vezes os filhos têm atitudes que parecem ter o propósito de nos tirar do sério, de nos irritar, mas quando penetramos nos seus motivos, percebemos que a intenção é bem outra.
O que geralmente acontece é que não analisamos bem a situação inesperada e somos precipitados nas reações, causando dor, sofrimento, e abrimos um enorme precipício entre nós e nossos filhos.
É importante levar em conta que nossos filhos são espíritos em busca de aperfeiçoamento e que são perfectíveis.
Muitos são náufragos em busca de um porto seguro, que nossos braços podem lhes ofertar, em nome do amor.
Se você deseja, com toda sinceridade, semear no solo fértil do coração do seu filho, as sementes de felicidade e esperança, penetre no seu mundo íntimo através do diálogo.
Estenda a ponte da compreensão, da tolerância, do perdão, da doçura, do afeto.
Não existe barreira capaz de se contrapor à força do amor em ação.
Pense nisso, e dê os passos necessários para chegar perto, bem perto mesmo, do seu filho problemático, mas extremamente carente de ternura.

Recompensa

Em vários países a eutanásia, ou morte suave, como é conhecida, é legal. Vez ou outra, as manchetes anunciam que a família de um doente, considerado irrecuperável, conseguiu a administração da eutanásia.

De outras vezes, a televisão informa que doutor fulano realizou outra de suas façanhas, administrando a morte a um de seus pacientes.

Muitas são as vozes que se erguem, defendendo a eutanásia. Afinal, esperar o que, se o doente não tem cura?

No entanto, para aqueles que prezam a vida, aguardar pode trazer excelente recompensa.

O caso da família White Bull é dos mais interessantes. Cindy, uma das filhas, recorda que tinha apenas 10 anos quando tudo aconteceu.

Ela era muito afeiçoada à sua mãe. “vivia grudada nela”, confessa, “como chiclete no sapato.”

O pai era operador de computador e a mãe, Patrícia, fazia bijuterias em casa. Era detentora de uma beleza natural, de cabelos negros brilhantes e um sorriso luminoso.

Para todo lugar que fosse, ela levava os três filhos, de 10, 3 e 1 ano.

Patrícia se preparava para ter o quarto filho. Numa manhã de junho, ela se despediu das crianças com um “até amanhã”, e foi para o hospital.

O amanhã foi negado. Patrícia deu à luz um filho sadio, Mark Jr. Porém, a jovem mãe teve uma parada cardíaca e os médicos não conseguiram reanimá-la antes que houvesse danos no cérebro.

Aos 27 anos, ela entrou em coma. Os médicos disseram que não havia esperança. Mesmo assim, o marido esperou três anos. Em desespero, se divorciou e mandou os filhos para parentes que os pudessem criar.

Durante 15 anos Patrícia permaneceu viva, mas sem viver. Ao se aproximar o Natal de 1999, um vírus causador de gripes e resfriados se propagava pelo centro de reabilitação.

O médico encarregado receitou um remédio contra a gripe que, por vezes, é usado para estimular pacientes com mal de Parkinson ou lesões cerebrais.

Alguns dias depois, uma assistente arrumava os lençóis da cama de uma senhora, quando a paciente se ergueu e exclamou: “não faça isso!”

Patrícia estava de volta ao mundo. Os filhos, chamados pela avó, correram para o leito da mãe, que ergueu os braços para abraçar, um a um, reconhecendo-os e chamando-os pelo nome.

Entretanto, o reencontro mais emocionante foi, com certeza, a de Mark Jr. Com a mãe que ele não conhecia. Era a primeira vez que ouvia a voz dela.

Ela, a primeira vez que tocava no filho que gerou.

Os médicos acreditam que a medicação tenha sido a responsável pelo despertar de Patrícia. No entanto, quando é utilizada para lesões cerebrais, é ministrada logo após o trauma. Não depois de anos.

E, mesmo assim, qualquer retorno à consciência, após longo tempo, é extremamente raro, afirmam os especialistas.

Para os filhos de Patrícia, no entanto, o que verdadeiramente importa é que ela está de volta. Esta é sua maior recompensa pela longa espera.

Muito Obrigado...



Agradeço a todos os comentários e emails que recebi com felicitações ao meu aniversário, tenho todas vocês em meu coração, viu, beijoaks...

domingo, 7 de novembro de 2010

Voem juntos...mas nunca amarrados

Conta uma velha lenda dos índios Sioux que, uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas na tenda do velho feiticeiro da tribo e falaram:

Nós nos amamos e vamos nos casar. E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã. Alguma coisa que garanta que poderemos ficar sempre juntos. Que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até a morte.

O velho sábio, ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse: Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...

Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte desta aldeia e, apenas com uma rede e tuas mãos, caçar o falcão mais vigoroso do monte e trazê-lo com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.

E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono, onde encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la, trazendo-a viva.

Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada. No dia estabelecido, na frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.

O velho pediu que, com cuidado, as tirassem dos sacos e viu que eram belos exemplares...

E, agora, o que faremos? Perguntou o jovem.

Nós as matamos e depois bebemos à honra de seu sangue? Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? Propôs a jovem.

Não! Disse o feiticeiro. Apanhem as aves e as amarrem entre si pelas patas, com essas fitas de couro.Quando estiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres...

O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros...

A águia e o falcão tentaram alçar voo, mas apenas conseguiram saltar pelo terreno.

Minutos depois, irritadas pela incapacidade de voar, as aves jogavam-se uma contra a outra, bicando-se até se machucar.

E o velho disse:

Jamais esqueçam o que estão vendo... Este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão... Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, viverão arrastando-se e, cedo ou tarde, começarão a machucar-se mutuamente.

Se quiserem que o amor entre vocês perdure... voem juntos... mas nunca amarrados.

A volta

Foi durante a limpeza do quintal. O pai, Bruce, juntava as folhas com o ancinho, recolhia os galhos quebrados pelo furacão da véspera.

Então, olhou para o filho e teve um impulso de abraçá-lo.

Ele o levantou, o beijou e lhe disse como se sentia feliz em tê-lo como filho.

A resposta do menino de apenas 4 anos o desconcertou:

Foi por isso que escolhi você. Eu sabia que você seria um bom papai.

Bruce ficou atônito e pediu que o menino repetisse o que dissera.

É isso: quando encontrei você e mamãe, tive certeza que você seria bom para mim.

Aquilo estava ficando intrigante.

Como assim nos encontrar? Onde você nos encontrou?

No Havaí.

O pai sorriu e esclareceu que os três tinham estado no Havaí no ano anterior. Mas o garoto replicou:

Não foi quando todos fomos ao Havaí. Foi quando você foi sozinho com mamãe.

E continuou, acrescentando detalhes:

Encontrei vocês no grande hotel cor-de-rosa. Vocês estavam na praia, de noite, jantando.

Realmente, Bruce e a esposa tinham estado no Havaí em 1997, para comemorar seu quinto aniversário de casamento.

Tinham se hospedado num hotel de cor rosa, na praia de Waikiki. E tinham jantado ao luar, na praia, na última noite de sua estada.

Cinco semanas depois, a esposa descobrira estar grávida.

O filho descrevera tudo com perfeição.

Como poderia saber? Aquele não era um assunto que os pais comentassem, não com aqueles detalhes.

* * *

O fato não é isolado e acontece com muitas crianças que surpreendem os pais com informações de um tempo que antecede o seu nascimento.

Não é raro, o garotinho olhar para a mãe e dizer: Quando eu era grande, carreguei você no colo.

Quando eu morava na outra casa, eu tinha muitas joias. E um carro muito bonito. Eu sempre viajava nele porque ele era confortável e grande.

Ou a menina olha o álbum de fotografias antigas e, de repente, apontando para uma foto de sua avó, ou bisavó ou tia-avó, exclama:

Olha eu aqui!

Nossa, eu era bonita, né?

Tais discursos partem de pirralhos, de crianças pequenas, de forma espontânea.

E, da mesma forma que assim se expressam, deixando boquiabertos os que os ouvem, retornam aos interesses da idade e às falas próprias da infância.

É como se um flash acendesse na memória, detonando uma lembrança, que é expressa com espontaneidade.

Tais fatos confirmam o que ensina a Doutrina Espírita. Vivemos muitas vezes.

E escolhemos nossos pais, antes de renascer, por questões afetivas, de aprendizado ou alguma necessidade específica.

Pais e filhos não somos Espíritos estranhos uns aos outros. Somos viajores do tempo, através das muitas vidas, no rumo do grande bem

sábado, 6 de novembro de 2010

Qual é a maior dor?



Você já pensou nisso?

Um jovem deixou um bilhete aos familiares, pouco antes de cometer suicídio, e expressou no papel o que estava sentindo.

Disse ele que a maior dor na vida não é morrer, mas ser ignorado.

É perder alguém que nos amava e que deixou de se importar conosco. É ser deixado de lado por quem tanto nos apoiava e constatar que esse é o resultado da nossa negligência.

A maior dor na vida não é morrer, mas ser esquecido. É ficar sem um cumprimento após uma grande conquista.

É não ter um amigo telefonando só para dizer Olá. É ver a indiferença num rosto quando abrimos nosso coração.

O que muito dói na vida é ver aqueles que foram nossos amigos, sempre muito ocupados quando precisamos de alguém para nos consolar e nos ajudar a reerguer o nosso ânimo.

É quando parece que nas aflições estamos sozinhos com as nossas tristezas. Muitas dores nos afetam, mas isso pode parecer mais leve quando alguém nos dá atenção.

* * *

É bem possível que esse jovem tenha tido seus motivos para escrever o que escreveu. Todavia, em nenhum momento deve ter pensado naqueles que o rodeavam.

Se pudesse sentir a dor de um coração de mãe dilacerado ante o corpo sem vida do filho amado...

Se pudesse experimentar o sofrimento de um pai que tenta, em vão, saber do filho morto o que o levou a tamanho desatino...

Se sentisse o desespero de um irmão que busca resposta nos lábios imóveis do ser que lhe compartilhou a infância...

Se pudesse suportar, ainda que por instantes, a dor de um amigo sincero a contemplar seus lábios emudecidos no caixão, certamente mudaria seu conceito sobre a maior dor.

* * *

Se você pensa que está passando pela maior dor que alguém pode experimentar, considere o seguinte:

Uma mãe que chora sobre o corpo do filho querido que foi alvo das bombas assassinas, em nome das guerras frias e cruéis.

Uma criança debruçada sobre o corpo inerte da mãe atingida por granadas mortíferas.

Um órfão de guerra que é obrigado a empunhar as mesmas armas que aniquilaram seus pais...

Um pai de família que assiste o assassinato dos seus, de mãos amarradas.

Enfim, pense um pouco nessas outras dores...

Pense um pouco nos tantos corações que sofrem dores mais amargas que as suas.

E se ainda assim você estiver certo de que a sua dor é maior, lembre-se daquela mãe que um dia assistiu a crucificação do Filho inocente, sem poder fazer nada.

Lembre-se também Daquele que suportou a cruz do martírio mas não perdeu a confiança no Pai, que tudo sabe.

E se ainda assim você achar que é o maior dos sofredores, considere que talvez o egoísmo esteja prejudicando a sua visão.

O que acham do meu Naninha Cachorrinho?